Formação contínua

Publicações relacionadas com a formação contínua de professores e educadores para a integração das tecnologias digitais nas suas práticas lectivas.

 

FELIZARDO, Helena & COSTA, Fernando (2014). Formação contínua na área das TIC em Portugal. Quem são os Formadores e que perspetivas têm sobre a integração das tecnologias no currículo?. Investigar em Educação (Revista da SPCE). II Série, v. 1, n. 2 (2014). 139-154.

Este trabalho incide sobre a formação contínua de professores na área das Tecnologias de Informação e Comunicação desenvolvida no âmbito dos Centros de Formação de Associação de Escolas. Com base num trabalho exploratório e descritivo realizado através de questionário, procura-se contribuir para a reflexão sobre o papel específico que os formadores podem exercer no desafiante processo de utilização pedagógica das tecnologias digitais hoje disponíveis. Não havendo estudos prévios sobre os formadores de professores nesta área em Portugal, procurámos saber quem é chamado a exercer essa função e quais as suas perspetivas sobre a integração das tecnologias no currículo, de modo a melhor compreendermos o seu papel neste processo. Sumariamente, podemos concluir que os formadores têm as condições necessárias para contribuir para o desenvolvimento de competências técnicas dos professores na utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação, embora não seja claro que contribuam, de igual modo, ao nível da integração pedagógica propriamente dita dessas tecnologias no currículo.

Texto desenvolvido a partir da investigação de mestrado da Helena Felizardo sobre a problemática da formação de formadores na área das TIC em Portugal. Investigação que continua, agora no âmbito do doutoramento, aprofundando o estudo em alguns aspetos mais relevantes para se compreender quem prepara os professores neste domínio no nosso país.

 

COSTA, Fernando (Coord.) (2008). Competências TIC. Estudo de Implementação. Vol. I. Lisboa: GEPE-Ministério da Educação. 

A proposta de formação e certificação de professores e pessoal não docente aqui apresentada corresponde ao reconhecimento que, no âmbito do Plano Tecnológico da Educação (PTE), é feito sobre a necessidade de investimento no capital social e humano como forma de responder aos objectivos de modernização da escola em Portugal.

Constituindo um imperativo que a escola acompanhe e, até, lidere o desenvolvimento verificado nas outras áreas e contextos da vida em sociedade e a par dos recursos disponibilizados, faz sentido, de facto, preparar convenientemente os agentes educativos para usarem regularmente e poderem tirar partido das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nas suas actividades quotidianas.

É uma proposta que permite responder às metas explícitas previstas no PTE de garantir que, em dois anos, a quase totalidade dos professores (pelo menos 90%) possuam as competências digitais básicas necessárias para poderem operar instrumentalmente com os recursos e tecnologias disponíveis nas escolas, mas, mais do que isso, permite traçar um caminho em direcção à inovação das práticas pedagógicas e de melhoria das aprendizagens dos alunos.

Uma vez que, como é sabido, a mudança e a inovação em educação são processos complexos e longos, a equipa responsável pelo estudo quis aproveitar a oportunidade de apresentar um sistema integrado e articulado de formação e certificação, não apenas com um horizonte temporal mais amplo, mas que permitisse também equacionar e tomar em consideração as diferentes variáveis e especificidades que caracterizam o contexto nacional, isto é, a situação em que no nosso país as escolas funcionam e são geridas, o perfil de competências traçado para os professores portugueses e o modelo de avaliação do seu desempenho, a orientação do currículo nacional relativamente à utilização das TIC pelos alunos, as experiências desenvolvidas no terreno na área das TIC, etc.

Nessa linha, tomou-se como principal alicerce do sistema a concepção de um referencial de competências em TIC     que, beneficiando do conhecimento de alguns referenciais internacionais estudados, se ajustasse à realidade portuguesa e permitisse dar consistência e coerência aos restantes elementos do próprio sistema, isto é, a formação e a certificação.

Não só como suporte à organização e desenvolvimento da formação de agentes educativos e à certificação de competências, mas também, de forma mais abrangente, como base de reflexão e de apoio ao seu desenvolvimento profissional, facilitando o processo de análise de necessidades de formação individuais e institucionais, a tomada de decisão sobre processos e percursos formativos, a orientação dos investimentos, a avaliação dos resultados, a investigação sobre a própria mudança de práticas ou melhoria do sistema escolar.

A proposta aqui apresentada em respeito pelos normativos que regem a actividade profissional de professores e pessoal não docente, assentou nos resultados de investigação sobre a formação de professores e de adultos em geral e, no caso dos docentes, sobre a proposta de formação relativa à especificidade da integração das TIC na actividade pedagógica, mas também sobre os factores que facilitam ou inibem a utilização das novas tecnologias por parte dos professores.

Em articulação estreita com o que nos restantes eixos do Plano Tecnológico da Educação está previsto, mas considerando que a eficácia da formação não é uma questão técnica, dependendo fortemente de variáveis impossíveis de controlar em toda a sua dimensão, como por exemplo a implicação do formando, ou a do próprio formador e o modo como ambos percebem e se envolvem nos processos formativos, a estratégia de formação aqui proposta assenta num conjunto de pressupostos e condições que é necessário assegurar, de forma a viabilizar a aplicação das aprendizagens que ela possibilita e reforcem e desenvolvam os seus efeitos.

Antecipando algumas das recomendações que teremos oportunidade de fazer e pela relevância para o êxito da própria formação, destacamos:

  • a necessidade de integração das TIC em toda a vida escolar de forma a serem percebidas com naturalidade e surgirem incorporadas em todas as dimensões da actividade escolar.
  • a necessidade das TIC fazerem parte, com a mesma naturalidade, em todas as áreas disciplinares, independentemente da sua especificidade cientifica e didáctica.
  • a necessidade de recursos de qualidade, diversificados e adequados ao desenvolvimento do currículo dos alunos.a necessidade de uma infra-estrutura apropriada às exigências do trabalho docente com as TIC, no que isso implica, por exemplo, em termos de existência, não apenas de equipamentos actualizados e fáceis de usar, mas também de uma manutenção ágil e eficiente e de tempo para o poderem fazer. A redefinição de condições de trabalho do professor, nomeadamente no plano do seu horário, de forma a ser possível preparar e desenvolver actividades com as TIC em sala de aulas ou a partir delas, é aliás considerada unanimemente como condição necessária para que as aprendizagens feitas na formação possam ter o efeito pretendido.
  • a necessidade da direcção de cada escola/agrupamento desenvolver uma liderança clara, esclarecida e suportada no respectivo diagnóstico, fomentando de forma estruturada a utilização das TIC, promovendo adaptações às condições de trabalho da escola, reconhecendo os professores que o fazem, etc. O Projecto Educativo de Escola (PEE) será, pois, também ao nível da formação na área das TIC, o esteio do trabalho a desenvolver em vista à obtenção de melhores resultados escolares dos alunos e de práticas profissionais mais ajustadas por parte dos professores às exigências da Sociedade do Século XXI.

Partindo destes e de outros princípios inspirados na literatura científica e nas lições aprendidas sobretudo em países com grande avanço no que diz respeito à integração das TIC na prática pedagógica do professor e considerando directamente os objectivos do PTE, propõe-se aqui um modelo de formação com uma estrutura modular e com grande flexibilidade, quer em termos de resposta à diversidade de situações de trabalho, quer aos diferentes níveis de domínio das competências em TIC, à especificidade científica e didáctica de cada área disciplinar, e mesmo aos diferentes ritmos e necessidades (interesses) dos professores a formar, a variedade de entidades formadoras…

Estudo que tive a honra e o privilégio de coordenar sobre a identificação e  implementação de Competências TIC nas escolas portuguesas encomendado pelo GEPE/ME, em 2008, no âmbito do “Eixo Formação” do Plano Tecnológico da Educação. Na prática, este estudo, concebido pelas universidades de Lisboa, que coordenou, de Évora e do Minho, propõe um modelo de sistema de formação e de certificação de competências TIC da comunidade educativa, nomeadamente professores e pessoal não docente. Indiretamente ou, pelo principio do isomorfismo aí defendido, poderemos dizer que também os alunos são abrangidos pela filosofia subjacente.

 

COSTA, Fernando & VISEU, Sofia (2008). Formação – Acção – Reflexão: Um modelode preparação de professores para a integração curricular das TIC. In Fernando Costa, Helena Peralta & Sofia Viseu (Eds.). As TIC na Educação em Portugal. Concepções e práticas. Porto: Porto Editora. 238-258.  

O vertiginoso desenvolvimento tecnológico dos últimos anos e a grande difusão das tecnologias de informação e comunicação (TIC) na sociedade, são dois aspectos marcantes do nosso tempo e que merecem especial atenção, nomeadamente por todos os que, directa ou indirectamente, têm responsabilidades na. De facto, os computadores pessoais e as tecnologias digitais que lhe estão associadas tornaram-se parte integrante do dia-a-dia da sociedade contemporânea, sendo visíveis mudanças substanciais no modo como trabalhamos, como comunicamos uns com os outros, como produzimos, enfim, como vivemos (Castells, 2001, 2002). Nos mais diversos sectores da actividade humana é não só reconhecido o seu enorme potencial, como se vulgarizou a ideia de ser uma poderosa ferramenta para resolver problemas do quotidiano ao alcance de qualquer um.

Que papel podem desempenhar os professores nesse processo e, mais concretamente, que tipo de preparação é necessário adquirirem para usarem as tecnologias regularmente nas suas práticas lectivas, são as questões centrais do trabalho que temos vindo a desenvolver e parte do qual gostaríamos de partilhar com o leitor. Com esse propósito, apresentar-se-ão aqui os fundamentos e a estrutura de um modelo de formação de professores especialmente concebido para levar os professores a usarem as TIC na actividade curricular dos seus alunos e alguns resultados da aplicação do referido modelo numa situação concreta. Como enquadramento prévio, começamos por apresentar algumas ideias de síntese sobre a importância do papel dos professores e dos sistemas de formação para o objectivo de generalização do uso das TIC na Escola.

Esta é a versão em Português do texto Action and reflection. Nuclear strategies of teacher training for ict use, e corresponde a um dos capítulos do livro que organizei e editei para a Porto Editora com as colegas Helena Peralta e Sofia Viseu, em 2008, na coleção Mundo de Saberes.

 

COSTA, Fernando & VISEU, S. (2006). Action and reflection. Nuclear strategies of teacher training for ict use. In Magnus Persson (Ed.) A vision of european teaching and learning. Perspectives on the new role of the teacher. Karlstad, Sweden: The Learning Teacher Network. 247-264.  

The technological development of recent years and the huge spread of information and communication technologies (ICT) throughout modern-day society, are two fundamental aspects of our times and deserve particular attention, namely by all those who, directly or indirectly, have responsibility in Education. Indeed, microcomputers, and the digital technologies associated with them, have become an integral part of contemporary society’s daily life. There have been substantial changes in the way we work, how we communicate with each other, how we produce, in other words, how we live. In the most diverse sectors of human activity, not only is its enormous potential acknowledged, but there is also a general idea that it can be a powerful problem-solving tool, which is accessible to everyone.

On this level, the fundamental question resides with how the school fits into this environment of change and technological development and how effective it has been in doing so. Since the results can not be considered satisfactory (ACE, 2002; Costa, 2004; Cuban, 2001; OCDE, 2006; Paiva, 2002; Salomon, 2002), naturally safeguarding the diversity of situations and variations from context to context, it seems particularly pertinent. Therefore there is a need for us to question why there is no glimpse of optimistic settings as far as a generalised and effective pedagogical use of information and communication technologies is concerned. This is even the case in countries with greater economic resources and teacher-training systems especially structured for this purpose, such as, for example, in European terms, Switzerland (Wallin, 2005) or Finland (Franssila & Pehkonen, 2005), but also countries like the USA.

The main issues of the work we have been developing and intend to share with the reader are based on questioning the role teachers can play in this process and, more specifically, the type of preparation they need to acquire in order to use technologies regularly in their teaching practices. With this aim, the structure of a teacher-training model especially conceived to encourage teachers to use ICT in the curricular activity of their students will be presented, as well as some results regarding the application of the afore-mentioned model in a specific situation. As a preceding framework, we will begin by presenting some brief ideas on the importance of the teacher’s role and training systems for the aim of generalizing ICT use in schools.

Este texto, originalmente publicado em língua inglesa, viria também a ser publicado em 2008, em português, no livro que organizei e editei conjuntamente com a Helena Peralta e a Sofia Viseu para a Porto Editora: Costa, F., Peralta, H., e Viseu, S. (2008) (org). As TIC em em Portugal. Concepções e Práticas. Porto: Porto Editora. Ele é resultado, por outro lado, da concepção de um modelo de formação de professores (modelo f@r) pela primeira vez aplicado numa ação de formação (Utilização Pedagógica das TIC no 1ºCEBque desenvolvemos em 2005 para a CRIE, a unidade de missão que tinha sido criada em 2005 para assumir as questões relacionadas com a utilização das TIC no nosso país.

 

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