Tendências Portugal

Publicações relacionadas com a investigação realizada na área da utilização das TIC na escola em Portugal.

 

CRUZ, Elisabete & COSTA, Fernando (2015). Formas e manifestações da transdisciplinaridade na produção científico-académica em PortugalRevista Brasileira de Educação, v. 20, n. 60. jan-mar. 2015. 195-213.

Este artigo decorre de projeto de investigação que procura, em última instância, contribuir para clarificar o sentido atribuído à introdução de áreas de formação transdisciplinar no âmbito do currículo escolar do ensino básico. Assumindo os contornos de uma pesquisa de natureza exploratória, elege como foco de análise as formas e manifestações da transdisciplinaridade na produção científico-académica realizada em Portugal. Os resultados da análise empreendida apontam para cinco ideias-chave, que se conectam por uma intencionalidade que dá primazia à compreensão holística dos fenómenos sociais, configurando a transdisciplinaridade, como: (1) um lugar de evasão dos quotidianos rotinizados; (2) um caminho para a equidade social e os valores humanos; (3) um novo enquadramento intelectual; (4) um novo modelo de organização dos conhecimentos escolares; e (5) um modelo ideal de equipa.

Publicação resultante dos trabalhos realizados pela Elisabete Cruz no âmbito da sua tese de doutoramento com o intuito de melhor compreender um dos eixos conceptuais utilizados na conceção das metas de aprendizagem na área das TIC e que esteve na origem e no centro da sua investigação.

 

CRUZ, E., COSTA, F., & RODRIGUEZ, C. (2014). Contributos para a análise da presença das TIC nas iniciativas de política educativa em Portugal (2001-2012). In T. Estrela et al. (Orgs.). XXIº Colóquio da Secção Portuguesa da Afirse – Educação, Economia e Território: O lugar da educação no desenvolvimento. Lisboa: EDUCA/Secção Portuguesa da AFIRSE. 1013-1024.

Com a finalidade de compreender como é que as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) são percebidas no sistema educativo português, este trabalho examina a sua presença nas iniciativas de política educativa promovidas entre a primeira reforma curricular do novo milénio e o final de 2012. Aproximando-se dos procedimentos subjacentes ao método de revisão sistemática, toma como objeto de análise o discurso legislativo, que tem sido produzido a partir da iniciativa de política educativa que levou à institucionalização das TIC como componente da formação básica comum a todos os alunos, enquadrando-a nas chamadas formações transdisciplinares (DL 6/2001). Do trabalho de análise empreendido resultou um conjunto de cinquenta categorias, organizadas e distribuídas por cinco dimensões temáticas: 1) âmbitos das iniciativas; 2) períodos de governação; 3) propósitos gerais das iniciativas; 4) terminologia associada às TIC; e 5) conceções de TIC. Os resultados evidenciam algumas ruturas e continuidades ao longo do período demarcado para análise, e mostram que a presença das TIC foi mais intensa e diversificada no âmbito das medidas de política educativa preconizadas pelo XVII Governo Constitucional (2005-2009).

Texto centrado sobretudo na preocupação de compreender as políticas educativas na área das TIC na educação em Portugal, com o objetivo de melhor enquadrar o trabalho que a equipa de investigação tem vindo a desenvolver no terreno através de diferentes projetos de investigação e de intervenção, como é o caso da investigação-ação desenvolvida no âmbito do Projeto escol@digit@l.

 

CRUZ, Elisabete, COSTA, Fernando & FRADÃO, Sandra (2012). Política de integração curricular das TIC em Portugal. EccoS, São Paulo, n. 29, p. 149-169. set./dez. 2012.

Neste artigo toma-se como ponto de partida o trabalho recentemente desenvolvido no projeto “Metas de Aprendizagem”, promovido em 2010 pelo Ministério da Educação português. Almejando clarificar e partilhar o trabalho desenvolvido na área das TIC, serão apresentados e discutidos os fundamentos que presidiram à operacionalização das respetivas metas de aprendizagem. Depois de esclarecer o conceito de estratégias de ensino e avaliação adotado, os autores sublinham a necessidade de dar continuidade a uma linha de trabalho de aprofundamento sobre os desafios e as exigências inerentes a uma proposta curricular que, em oposição à lógica monodisciplinar, apela para a mudança de uma cultura escolar de isolamento para uma cultura de cooperação, baseada na participação dos diversos atores e parceiros que a escola tem.

Texto que toma como base as Metas de Aprendizagem na área das TIC e que tem como principal objetivo apresentar e discutir alguns dos fundamentos que presidiram à sua definição pela equipa responsável, de que fizeram parte os seus autores. A ênfase na proposta de transdisciplinaridade e transversalidade é um dos aspetos centrais do texto.

 

COSTA, Fernando (2007). Tendências e práticas de investigação na área das Tecnologias em em Portugal. In A. Estrela (Ed.). Investigação em Educação. Teorias e Práticas (1960-2005). Lisboa: Educa & Ui&dCE. 169-224. 

O uso de tecnologias para apoio à transferência de informação e aquisição de conhecimentos em contexto educativo tem sido, como se sabe, uma prática mil vezes ensaiada desde que a Escola se constitui como principal fonte estruturada de transmissão do saber de gerações para gerações. Muito embora sejam objectivamente desoladores os resultados concretos em termos de adopção e generalização das diferentes tecnologias experimentadas, à excepção de algumas que resistiram ao tempo, como o manual escolar ou o já ancestral quadro preto, é cada vez maior o interesse por este domínio de investigação, nomeadamente desde que o computador pessoal se tornou uma realidade, há pouco mais de duas décadas.

Reconhecendo a importância que a investigação científica pode ter em termos de fundamentação, orientação e avaliação das práticas de uso das tecnologias em contexto escolar, ou mesmo para afirmação e reconhecimento, pela comunidade científica (e não só), de uma área tão recente como a das Tecnologias Educativas, propõe-se aqui uma breve análise do que a esse nível se passou em Portugal no período tomado como referência, isto é, nos últimos quarenta e cinco anos.

Compreender em que medida, aos ensaios e experimentações no terreno terá correspondido o equivalente estudo e reflexão sistemáticos e, a existirem, quais os principais períodos, as problemáticas estudadas e os respectivos quadros teóricos, são alguns dos propósitos que nortearam a análise que aqui apresentamos. Uma análise exploratória e de âmbito limitado, mas que, esperamos, possa contribuir para um conhecimento mais profundo das práticas de investigação neste domínio particular das Ciências da em Portugal.

Trabalho desenvolvido como base da minha intervenção em Mesa Redonda do XIV Colóquio da AFIRSE, subordinado ao tema “Para um Balanço da Investigação em de 1960 a 2005. Teorias e Práticas”, Faculdade de Psicologia e de Ciências da da Universidade de Lisboa.