Vem este título a propósito de uma reflexão com que António Nóvoa nos confrontou, no passado dia 16 de Abril, por ocasião do lançamento do livro “As TIC na Educação em Portugal. Concepções e práticas” editado pela Porto Editora, parafraseando Daniel Hameline, que dizia que “não há nada pior do que a moda na área da educação”.
Ora, é precisamente a isso que temos assistido no campo específico das tecnologias educativas, desde que, no início do século XX, iam entrando nas nossas escolas as novidades de cada momento.
Sendo hoje muito diferentes e espelhando o rápido desenvolvimento tecnológico verificado nos anos mais recentes, é precisamente nas novidades que muitos centram a atenção, seduzidos sobretudo pelo seu potencial técnico e acabando, muitas vezes, por relegar para segundo plano aquilo que na escola deveria assumir um papel central – a aprendizagem. Ou, por outras palavras, a compreensão do que essas tecnologias, cada vez mais poderosas, vêm acrescentar ao modo como aprendemos, ao modo como pensamos, ao modo como nos relacionamos com o conhecimento, enfim, do que significa viver e trabalhar na chamada sociedade da informação.
De facto, em vez de se aproveitar a oportunidade para se repensarem os processos e objectivos da escola tal como a conhecemos, deixamo-nos seduzir pelo brilho de cada novo “gadget”, esquecendo com uma facilidade impressionante o que é essencial e o que poderíamos fazer para transformar as nossas práticas, ajustando-as aos novos desafios, quer do ponto de vista pessoal, quer do ponto de vista social. Só aí seria legítimo falar, em boa verdade, de inovação.
Sendo o menos fugaz dos três conceitos aqui trazidos à liça, é por definição, também, aquele que mais garantias ofereceria de que estaríamos no caminho certo, enquanto profissionais que sabem o que querem e que, nesse contexto, são capazes de não se deixar ofuscar pelo brilho da tecnologia, perseguindo a melhoria e a transformação do modo como habitualmente se fazem as coisas na escola.
Aproveitar o “efeito novidade” ou as constantes vagas tecnológicas seria, pois, um bom indicador de profissionalismo e de maturidade profissional.
Profissionalismo que noutras profissões seria impensável não incluir a marca tecnológica dos nossos tempos, pelo constante valor que as tecnologias de informação e comunicação acrescentam ao modo como as coisas eram feitas. Seria impensável, por exemplo, que um cirurgião não fosse capaz e não tivesse a preparação necessária para tirar partido do equipamento disponível, com o que isso terá implicado em termos de esforço e investimento pessoal na aprendizagem, mas parece que continuamos a aceitar pacificamente que isso não deve fazer parte da responsabilidade profissional de cada professor.
Ainda que as práticas não mudem sem que cada um reconheça a necessidade e o benefício que pode trazer determinada mudança, e seja necessário tempo bastante para que as transformações desejadas se operem, não deixa de ser a inovação, seguramente, de entre os três conceitos aqui confrontados, o único capaz de “mexer” efectivamente com os seculares alicerces em que sempre assentou a escola.
Fazer diferente, mas, sobretudo, fazer melhor, será talvez o segredo para aproveitar a(s) onda(s). A onda do Moodle, por exemplo!
Ficam, por isso mesmo, convidados a dar conta da vossa experiência com o moodle no segundo encontro nacional que terá lugar, em Setembro, nas Caldas da Rainha – CaldasMoodle’08
Fernando Albuquerque Costa
Artigo para publicação no nº3 da revista “Casa das Linguagens”
Agrupamento Vertical de Escolas de Vila Cova